CATANDUVA — O Ministério Público de São Paulo afirma que Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, planejavam construir em Catanduva uma sede para o Grupo Itajobi. O projeto previa um prédio corporativo com três pavimentos e 6.733,36 m² de área construída, em um terreno de aproximadamente 10 mil m².
Os dois terrenos foram comprados por R$ 3,9 milhões em outubro de 2023. Conforme a denúncia, os recursos saíram da conta da Aster Petróleo e passaram por cinco contas intermediárias até chegar à RGP Property. O percurso teria ocorrido das 13h14 às 13h22, e a empresa que recebeu o dinheiro fez o pagamento aos vendedores às 14h23.
Para o MP, a sequência de transferências e a estrutura usada na aquisição buscavam ocultar os beneficiários finais dos imóveis e dificultar a identificação de quem exercia o controle efetivo. Formalmente, os terrenos foram comprados pela RGP Participações Ltda., depois renomeada FL Properties and Investments Ltda.
Projeto da sede
Em 11 de janeiro de 2024, a Usina Itajobi Ltda. — Açúcar e Álcool pediu à Prefeitura de Catanduva um alvará para construir um prédio comercial destinado a escritório corporativo. O pedido identificava o imóvel como sede do Grupo Itajobi.
A responsabilidade técnica ficou com a Conceb Engenharia Ltda., por meio do engenheiro Ali Mohamad Mourad, primo de Mohamad Hussein Mourad, conforme a denúncia. Em uma diligência, investigadores encontraram no terreno uma placa da empresa, com referência ao Alvará nº 56.656 e ao processo nº 565/2024, de 11 de janeiro de 2024. O endereço informado era a Rua Martinho Canozo, Quadra C, Lotes 5 e 6.
O Ministério Público pediu à Justiça o perdimento dos dois terrenos e da construção relacionada ao alvará. A Promotoria afirma que havia diferença entre a propriedade formal dos imóveis e a empresa indicada como responsável pelo empreendimento. A propriedade estava vinculada a uma empresa integrante da estrutura do Fundo Pompeia, sob a Scotia Holdings, enquanto a Usina Itajobi aparecia no pedido de construção.
Acusações e defesas
A denúncia da Operação Carbono Oculto descreve um mecanismo financeiro que, segundo o MP, usava empresas de fachada e fundos de investimento para ocultar patrimônio ilícito. A estrutura investigada teria sido empregada para esconder dinheiro de fraudes que geraram mais de R$ 1 bilhão em impostos devidos.
O Ministério Público também aponta fraudes fiscais relacionadas a importações simuladas, crimes contra o consumidor, adulteração de combustíveis e infrações anteriores envolvendo a importação de nafta. Segundo os promotores, os recursos eram pulverizados por empresas registradas em nome de laranjas, contas de pagamento e fundos fechados. Uma das empresas teria movimentado R$ 15 bilhões como uma espécie de caixa dois.
Em nota, a defesa de Mohamad Hussein afirmou que a denúncia apresenta “uma narrativa desconexa da realidade” e questionou a indicação do crime antecedente e da origem do dinheiro supostamente lavado.
A defesa de Roberto Lemos declarou que provará, no curso do processo, a improcedência da denúncia e a nulidade do processo que tramita na Justiça Estadual.



