A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, encaminhou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) uma nova relação com 1.301 endereços de bets consideradas ilegais. A ordem foi enviada na noite de terça-feira (22), com previsão de bloqueio a partir da meia-noite de quarta (23), e faz parte de um total de 57.691 endereços remetidos desde janeiro de 2026.
A lista reúne domínios com terminações como “.com”, “.com.br”, “.app” e “.vip”. Registros semelhantes aparecem em extensões diferentes, por isso a quantidade de endereços não corresponde necessariamente ao número de empresas ou casas de apostas.
Como funciona a suspensão
A SPA seleciona os endereços e determina a interrupção do acesso. A Anatel repassa a ordem às empresas responsáveis pela internet fixa e móvel, que executam a medida em suas redes. Em manifestação administrativa assinada em 22 de setembro, a agência afirmou que “não possui meios legais ou operacionais para realizar diretamente o bloqueio ou retirada de sítios eletrônicos”.
A suspensão impede que usuários no Brasil acessem os endereços, mas não remove os sites da internet nem desliga seus servidores. A ordem tem validade até 31 de dezembro e pode ser prorrogada ou cancelada a pedido do Ministério da Fazenda.
De acordo com o ofício da SPA, os endereços oferecem apostas de quota fixa em desacordo com as regras do ministério. Nessa modalidade, o apostador sabe, no momento da aposta, quanto poderá receber se acertar.
Volume de pedidos
Somente neste mês, ainda não encerrado, foram encaminhados 10.590 endereços, o maior volume mensal da série de suspensões. Antes desse período, abril havia registrado a maior quantidade, com 10.240 domínios cuja suspensão foi solicitada.
O número de endereços não indica quantos operadores ilegais existem, porque uma mesma operação pode utilizar mais de um domínio. O Ministério da Fazenda informou que os envios dão continuidade a um trabalho realizado com a Anatel.
Em maio, o Tribunal de Contas da União estimou que operadores ilegais representam entre 41% e 51% do volume de apostas, o que pode chegar a R$ 40 bilhões por ano. O tribunal também apontou riscos de lavagem de dinheiro, manipulação de resultados, evasão fiscal, fraudes e golpes contra apostadores.



