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Política

Cleide Martins questiona uso político do Direito e atuação de André Mendonça no STF

Advogada relacionou lawfare, Lava Jato, interferência externa e disputas sobre o papel do Estado e da Justiça no Brasil.

O lavajatismo do ministro André Mendonça

A atuação do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF) foi analisada pela advogada Cleide Martins em uma entrevista sobre lawfare, soberania nacional e interferência política. Diretora-executiva da Rede Lawfare Nunca Mais, ela questionou a competência de Mendonça para conduzir um inquérito envolvendo Fábio Luiz Lula da Silva.

Para Cleide, o debate não se limita ao conteúdo das decisões judiciais. Também envolve a definição do foro adequado, da autoridade responsável pelo processo e do juiz natural de cada cidadão. Na avaliação da advogada, essas escolhas fazem parte da própria estrutura institucional em que o processo é conduzido.

Da Lava Jato ao Supremo

Cleide relacionou o caso à experiência da Operação Lava Jato. Segundo a interpretação apresentada por ela, métodos associados à operação não teriam desaparecido, mas assumido outras formas. A advogada citou estudos acadêmicos sobre a atuação dos Estados Unidos durante a Lava Jato e uma pesquisa sobre a relação entre a cobertura da operação pela imprensa estadunidense e interesses geopolíticos daquele país.

Ela também mencionou o Projeto Pontes, realizado em 2009, como parte de uma aproximação entre instituições brasileiras e estadunidenses anterior à Lava Jato. Para Cleide, a experiência de Curitiba mostrou como o combate à corrupção poderia ser instrumentalizado em uma estratégia política mais ampla.

Na avaliação dela, os efeitos dessa experiência atingiram empresas, empregos e setores da economia brasileira. Por isso, o lawfare deveria ser compreendido como uma combinação de Direito, mídia, economia e política, e não apenas como uma disputa nos tribunais.

Estado e direitos sociais

Outro ponto da entrevista foi a trajetória política e ideológica de André Mendonça. Cleide citou a participação do ministro em atividades ligadas ao Acton Institute, organização estadunidense de orientação conservadora cristã, e associou essa formação a uma visão de Estado que, segundo ela, ultrapassaria a defesa do Estado mínimo.

A advogada afirmou que Mendonça defenderia uma redução radical da presença estatal na sociedade. Ao abordar áreas como saúde, educação, previdência e proteção trabalhista, declarou: “Essa coisa da redução do Estado, da aniquilação do Estado, é a aniquilação da cidadania em si mesma”.

A crítica apresentada por Cleide envolve o papel do Estado na garantia de direitos sociais e a relação entre a atuação institucional de Mendonça, modelos econômicos e projetos de sociedade.

Interferência internacional e comunicação

Cleide também interpretou a presença dos Estados Unidos na política brasileira e latino-americana como parte de uma política de Estado de longo prazo, e não como fenômeno restrito a um governo específico. Ela mencionou redes internacionais de think tanks, organizações políticas, institutos e grupos de comunicação, além da Atlas Network, à qual atribuiu a articulação de centenas de organizações em diferentes países.

A advogada relacionou ainda o financiamento de organizações brasileiras por estruturas internacionais às disputas eleitorais e institucionais no Brasil. Essas afirmações foram apresentadas como parte de sua interpretação política durante a entrevista.

Na análise de Cleide, redes digitais, campanhas de desinformação e estruturas de comunicação integram as disputas políticas contemporâneas. Ela citou Fernando Cerimedo e defendeu que o debate sobre lawfare seja levado para além dos operadores do Direito, já que suas possíveis consequências alcançariam eleições, políticas econômicas, direitos sociais e soberania nacional.

STF, eleições e políticas públicas

Cleide afirmou que os ataques às instituições fariam parte de um processo político iniciado, em sua leitura, desde o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Ela comparou o cenário brasileiro a experiências de Ucrânia, Honduras, Bolívia, Venezuela e Argentina, apontando semelhanças que, segundo ela, envolvem desestabilização política e uso de instrumentos jurídicos, midiáticos e comunicacionais.

A diretora da Rede Lawfare Nunca Mais defendeu a criação de mecanismos institucionais para identificar e impedir práticas de lawfare antes que seus efeitos se consolidem. De acordo com ela, a organização busca incluir o tema em programas de governo e já apresentou a discussão em processos eleitorais anteriores.

A questão central levantada na entrevista é quem pode julgar, em qual foro, sob quais regras e com quais limites institucionais. Para Cleide, o chamado lavajatismo não precisaria repetir literalmente a Operação Lava Jato para que o Direito voltasse a ser usado como instrumento de uma disputa política mais ampla.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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