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Saúde

Espiritualidade entra no debate sobre cuidado integral na saúde

Pesquisas apontam relação com bem-estar, sofrimento e qualidade de vida, mas profissionais ainda precisam de formação e orientação ética.

Espiritualidade entra no debate sobre cuidado integral na saúde

A espiritualidade passou a receber mais atenção na saúde, impulsionada pelo aumento de pesquisas sobre a relação entre fé, ciência e cuidado integral. O tema é associado à percepção de sentido e propósito, à conexão com outras pessoas e à confiança dos pacientes, mas ainda exige definição, limites éticos e capacitação dos profissionais.

A demanda parte também dos próprios pacientes, principalmente daqueles com doenças graves ou em fase terminal. Um editorial de 2023 publicado na revista científica The Lancet apontou que a espiritualidade é importante para 71% a 99% das pessoas com esse perfil e defendeu a inclusão das necessidades espirituais nas práticas de saúde. Desde a década de 1980, a Organização Mundial da Saúde reconhece a relação entre saúde e espiritualidade.

Para Bernard Lobato Prado, oncologista clínico e referência técnica do Programa de Cuidados de Suporte e Paliativos do Centro de Oncologia e Hematologia do Einstein, a aproximação entre os dois campos ocorre de forma natural. “Se a saúde cuida do ser humano, e a espiritualidade é uma dimensão da vida do ser humano, é natural que ocorra essa incorporação”, afirmou.

Conceito e limites na prática clínica

Ainda não há uma definição única de espiritualidade no contexto da saúde. Especialistas e artigos científicos costumam diferenciá-la da religiosidade. A religião envolve dogmas e crenças específicas de determinados grupos, enquanto a espiritualidade é relacionada, de forma mais ampla, à conexão, ao propósito e às experiências de vida.

Os códigos de ética das principais profissões da saúde proíbem que o profissional induza o paciente a convicções religiosas baseadas em suas próprias crenças e determinam o respeito à crença de cada pessoa. A inclusão direta da espiritualidade no cuidado, porém, ainda é limitada. No Brasil, o código de enfermagem é o único citado como referência direta ao tema.

Na medicina, o Conselho Federal de Medicina criou, em 2025, a Comissão de Saúde e Espiritualidade. Rosylane Rocha, 2ª vice-presidente da entidade, afirma que o grupo trabalha no levantamento das evidências para elaborar uma recomendação de uso na prática médica. Entre os pontos em discussão está a forma de fazer uma anamnese que inclua perguntas sobre espiritualidade sem que a abordagem seja baseada na crença do médico.

Possíveis efeitos no bem-estar

As evidências disponíveis indicam que a relação do paciente com a espiritualidade pode influenciar a percepção de sofrimento e dor. Também há estudos que apontam benefícios no tratamento de dor crônica, ansiedade, insônia e depressão.

A espiritualidade pode ainda ajudar o paciente a compreender o processo de saúde e doença e a desenvolver resiliência diante de situações de ameaça à vida e da perda de pessoas próximas. Christina Puchalski, pesquisadora e diretora do Instituto de Espiritualidade e Saúde da Universidade George Washington, relata que pacientes frequentemente recorrem a valores espirituais para enfrentar ou compreender doenças graves e perdas.

Esse campo também deu origem a intervenções específicas. Entre elas estão a Psicoterapia Centrada no Significado, voltada a ajudar pessoas com doenças graves ou avançadas a manter ou recuperar propósito e esperança, e a Terapia da Dignidade, criada para trabalhar questões relacionadas à angústia psicossocial e existencial.

Segundo Prado, essas intervenções foram testadas em ensaios clínicos randomizados e controlados. Os resultados indicam melhora na capacidade de enfrentar o câncer, na qualidade de vida e na satisfação com o cuidado recebido quando essa necessidade é considerada.

Formação ainda é um desafio

Apesar do avanço das pesquisas, a formação dos profissionais continua insuficiente. O tema aparece nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, que incluem diálogo, escuta qualificada e compreensão das crenças religiosas e espirituais entre os fundamentos da prática clínica.

O desafio é levar esse conteúdo de forma estruturada para a formação e para o atendimento. Prado destaca que as instituições de saúde têm papel importante nesse processo. No Einstein, um grupo médico de trabalho em espiritualidade desenvolve pesquisas e busca referências em instituições internacionais que já adotam esse modelo de cuidado.

Além da capacitação, especialistas defendem o fortalecimento da conexão entre profissionais, instituições e comunidades. Serviços sociais governamentais e não governamentais podem contribuir para ampliar redes de apoio e a interação comunitária, especialmente diante do isolamento social e da epidemia de solidão.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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