O Bank of America revisou para baixo a projeção para a taxa Selic no fim de 2027 e ampliou sua exposição a ações brasileiras. O banco passou a classificar o país como overweight, equivalente a compra, depois de manter a posição em marketweight, equivalente a neutra, por mais de um ano.
A nova previsão para a Selic é de 11,25% no fim de 2027, ante 12,75% na estimativa anterior. A mudança foi apresentada em relatório divulgado nesta terça-feira (8).
Para o Bank of America, a desaceleração da atividade econômica e a redução dos riscos de inflação podem abrir espaço para um ciclo de flexibilização monetária mais profundo do que o previsto pelo mercado. A instituição avalia que juros menores podem melhorar a avaliação das ações e compensar riscos ligados a revisões negativas de lucros, à desaceleração da demanda e à incerteza eleitoral.
Empresas escolhidas pelo banco
A estratégia inclui companhias mais sensíveis aos juros e com potencial de valorização em um ciclo de queda da Selic. Entre as preferências estão empresas dos mercados de capitais, bond proxies e companhias alavancadas que já integravam o portfólio.
Como a taxa deve continuar elevada mesmo com a projeção de queda para 11,25%, o banco combinou essa exposição com grandes empresas líquidas, geradoras de caixa e com balanços sólidos. No setor de commodities, a posição é neutra em Vale e Petrobras.
O Ibovespa sem commodities continua sendo negociado com desconto de 10% em relação à média histórica, segundo o banco. As ações mais ligadas ao ciclo de juros apresentam desconto ainda maior.
Entrada de capital estrangeiro
A B3 registrou entrada de R$ 6 bilhões em capital estrangeiro nos últimos 10 dias, após resgates acumulados nos três meses anteriores.
O Bank of America relaciona o movimento à desaceleração do trade de inteligência artificial e à cobertura de posições vendidas no Brasil. O banco também afirmou ter observado desempenho superior de alguns dos papéis mais vendidos a descoberto desde meados de agosto.



