A taxa Selic e a inflação são as principais preocupações dos investidores brasileiros em relação a 2026. Os dois fatores foram citados por 40% dos participantes de uma pesquisa da BridgeWise, enquanto 16% apontaram a incerteza política ligada às eleições como o maior risco.
O levantamento, chamado “Pesquisa de Sentimento do Investidor Brasileiro - Eleições 2026”, ouviu 300 pessoas. Para Carlos Daltozo, especialista de produtos da BridgeWise, as respostas indicam que os investidores estão mais atentos aos efeitos econômicos do cenário político do que ao processo eleitoral em si.
“Questões fiscais, inflação e trajetória dos juros podem ser justamente alguns dos canais pelos quais mudanças de política econômica acabam chegando aos preços dos ativos”, afirmou Daltozo.
Estratégias e composição das carteiras
Sobre possíveis mudanças nas estratégias, 35% dos entrevistados disseram que não pretendem fazer alterações significativas. Outros 31% planejam aumentar a exposição ao risco, 22% pretendem reduzi-la e 11% estão adiando novos investimentos para depois das eleições.
A renda fixa representa 53,67% das carteiras, seguida por ações brasileiras, com 20,33%, e criptoativos, com 10%. Ativos internacionais correspondem a 8,33%, enquanto imóveis e fundos imobiliários representam 7,67%.
Para os próximos três meses, a renda fixa concentra 49% das intenções de novos aportes. Ações brasileiras e ativos internacionais aparecem com 17% cada, e as criptomoedas, com 13%. Outros 4% pretendem manter os recursos em dinheiro.
Uso de inteligência artificial
A pesquisa também avaliou o uso de ferramentas de inteligência artificial nas decisões de investimento. Segundo a BridgeWise, 28,33% utilizam esses recursos regularmente e 33,33% recorrem a eles ocasionalmente. Outros 20% apenas experimentaram a tecnologia, enquanto 18,33% nunca usaram IA com essa finalidade.
Entre soluções genéricas, como ChatGPT e Claude, e ferramentas especializadas em finanças, 61% preferem as voltadas ao mercado financeiro. As opções genéricas são escolhidas por 39% dos entrevistados.
Quanto ao patrimônio investido, 52% têm menos de R$ 100 mil. A faixa entre R$ 100 mil e R$ 500 mil reúne 33,67% dos participantes; 8,67% estão entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão; 5,33%, entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões; e 0,33% têm mais de R$ 5 milhões.



