O Ministério Público do Rio (MPRJ) abriu uma investigação criminal para apurar o crescimento patrimonial e financeiro de empresas ligadas ao candidato ao governo do estado Douglas Ruas (PL). O procedimento tramita em sigilo no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) e foi instaurado em 15 de julho deste ano.
A apuração começou após uma denúncia anônima. O MPRJ afirma ter reunido elementos suficientes para investigar uma possível contratação fraudulenta e a atuação de pessoas que estariam envolvidas na engrenagem criminosa descrita na denúncia.
As empresas citadas são a Saur Construção, Terraplanagem e Locação, do setor de construção, e a DM Invest Consultoria e Participações, administradora financeira. O órgão confirmou que Douglas Ruas tem vínculo societário com as duas empresas. Segundo o documento, o crescimento financeiro delas coincidiu com a ascensão política do candidato e de seu pai, Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo.
Entre as suspeitas investigadas estão organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e crimes licitatórios. Também integra a apuração uma auditoria feita pela atual gestão do Palácio Guanabara sobre contratos firmados quando Ruas era secretário estadual das Cidades, durante o governo de Cláudio Castro.
A auditoria identificou contratos que totalizam R$ 702 milhões com consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia. Em um desses contratos, a empresa subcontratou a Mineração Santa Edwiges, ligada à família do deputado federal Altineu Côrtes, presidente do PL no Rio.
O MPRJ aponta uma ligação entre as famílias de Douglas Ruas e Altineu Côrtes. Um imóvel em São Gonçalo, comprado pela Saur e pela Normandia Empreendimentos e Participações, é citado como possível elo. A Saur está registrada em nome de Douglas Ruas e Capitão Nelson, enquanto a Normandia pertence a Altineu Côrtes.
As movimentações relacionadas a escrituras de compra e venda de imóveis da Saur entre 2023 e 2025 passam de R$ 12 milhões, conforme o Ministério Público. Três imóveis somam R$ 7,4 milhões: dois ficam em Duque de Caxias e um em São Gonçalo.
Como Altineu Côrtes tem foro privilegiado, o caso também foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República. O objetivo é avaliar se há algum fato atribuído ao deputado que justifique a competência originária do Supremo Tribunal Federal para conduzir a investigação.
Douglas Ruas afirmou que ainda não foi notificado para prestar esclarecimentos e disse confiar na apuração. “Recentemente, sobre os mesmos fatos, o MP arquivou um outro procedimento investigatório”, declarou. O candidato também afirmou que nunca respondeu a processo criminal.
A Prefeitura de São Gonçalo informou que não responde a demandas de cunho político ou pessoal do prefeito Capitão Nelson. O prefeito não apresentou manifestação.
Altineu Côrtes disse que a Mineração Santa Edwiges nunca forneceu serviços à Secretaria das Cidades nem a órgãos públicos. Segundo ele, o terreno foi comprado por empresas privadas antes de Douglas Ruas assumir a secretaria e fica em uma área onde o órgão não realizou obras. A FP Vieira Engenharia não apresentou resposta.



