O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, na última decisão antes das eleições. Mesmo com o corte, os juros continuam elevados e mantêm os investimentos pós-fixados entre as principais opções para a carteira, enquanto prefixados e títulos ligados à inflação podem ganhar espaço.
A recomendação dos especialistas é fazer uma transição gradual, sem abandonar produtos como Tesouro Selic, CDBs atrelados ao CDI e fundos DI. Milene Dellatore, sócia-diretora do Grupo Mide, afirma que “Uma Selic de 13,75% ainda proporciona uma remuneração bastante relevante” e defende a manutenção desses ativos, principalmente para a reserva de emergência.
O cenário econômico contribuiu para a decisão do Banco Central. O IPCA acumulado em 12 meses até agosto recuou para 4,22%, favorecido pela queda temporária da conta de luz com o bônus de Itaipu. As expectativas para a inflação, porém, continuam acima da meta de 3%: o Boletim Focus projeta 4,3% para 2027 e 3,8% para 2028.
A atividade também perdeu força. O PIB avançou 0,5% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores, enquanto o consumo das famílias caiu 0,4%. O IBC-Br recuou 0,2% em julho. Em sentido contrário, o desemprego ficou em 5,3% no trimestre até julho, o menor percentual para esse intervalo desde o início da série do IBGE, em 2012.
Prefixados, inflação e crédito privado
Para investidores dispostos a aceitar alguma oscilação, prefixados e títulos IPCA+ podem permitir o travamento de taxas antes de novos cortes. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, considera mais atrativos os vencimentos entre 2028 e 2030 nos prefixados e perto de 2032 nos papéis IPCA+, mas recomenda cautela em prazos muito longos.
Ciro Avelar, da Paribus Finanças, sugere concentrar os prefixados em papéis de dois a três anos. O mercado projeta taxas entre 13,5% e 14% para vencimentos entre 2027 e 2030, sinal de que não se espera uma queda acentuada dos juros no médio prazo.
Debêntures, CRIs, CRAs e fundos de crédito continuam disponíveis, mas exigem análise sobre a empresa emissora, a liquidez e o retorno adicional em relação a títulos de menor risco. Avelar lembra que esses investimentos não contam com a proteção do FGC, restrita a CDBs, LCAs e LCIs.
Bolsa e composição da carteira
A queda da Selic pode favorecer setores mais sensíveis ao custo do crédito, como construção civil, shoppings, varejo, locadoras, infraestrutura e algumas small caps. A escolha, porém, deve considerar fundamentos, geração de caixa e gestão das companhias. Marcelo Freller, do C6 Bank, avalia que parte do ciclo de cortes já está incorporada aos preços da Bolsa e recomenda uma participação moderada, conforme o perfil do investidor.
Avelar sugere uma carteira com 60% em títulos pós-fixados, 20% em papéis atrelados à inflação, cerca de 15% em prefixados e 5% em ações. Lima propõe 50% em renda fixa, 15% em crédito privado, 20% em ações e os 15% restantes em investimentos internacionais e fundos imobiliários.
Para as próximas reuniões, o mercado projeta outro corte de 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic a 13,5% ao ano ainda neste ano. As instituições financeiras não têm consenso sobre o fim do ciclo: algumas esperam manutenção em 13,75%, enquanto outras projetam redução para 13,25% ou alta para 14% até dezembro.



