O Tesouro Prefixado 2032 chegou a oferecer 14,11% ao ano nesta quarta-feira (9), enquanto o Prefixado 2029 rondava 13,8%. A taxa é garantida pelo Tesouro Nacional para a pessoa física que comprar o título nesse nível e permanecer com ele até o vencimento, em 1º de janeiro de 2032.
A remuneração aparece em um momento de maior exigência dos investidores para emprestar dinheiro ao governo. A alta do petróleo, que voltou à região de US$ 100 por barril, aumentou o receio de inflação global e a possibilidade de aperto monetário nos Estados Unidos. No Brasil, a Selic está em 14% ao ano, apesar do início do ciclo de cortes.
O que a taxa significa
Os 14,11% são uma rentabilidade nominal, antes de impostos, taxas e inflação. A taxa só fica assegurada nesse patamar para quem compra o papel e o mantém até o vencimento. Mudanças nas expectativas para inflação, juros, contas públicas e cenário eleitoral podem alterar os preços e as taxas dos títulos ao longo do tempo.
A uma rentabilidade de 14% ao ano, o patrimônio dobra matematicamente em aproximadamente 5,3 anos. Considerando a taxa de 14,11%, o prazo estimado é de cerca de 5,25 anos. Nessa hipótese, R$ 10 mil aplicados até janeiro de 2032 chegariam a aproximadamente R$ 20,2 mil brutos. Um investimento de R$ 50 mil alcançaria cerca de R$ 100,8 mil, e R$ 100 mil chegariam a aproximadamente R$ 201,6 mil.
Esses valores não representam o ganho final. A inflação pode reduzir o poder de compra, e aplicações mantidas por mais de 720 dias pagam 15% de Imposto de Renda sobre o rendimento. A B3 cobra atualmente taxa de custódia de 0,2% ao ano nos títulos prefixados.
Venda antes do vencimento
O Tesouro Prefixado pode ser comprado pelo Tesouro Direto, por bancos e corretoras, inclusive em frações do título. Quem compra o Prefixado 2032 aceita pagar determinado preço hoje para receber o valor previsto na data de vencimento.
Se o investimento for mantido até lá, as oscilações exibidas no extrato não mudam a taxa contratada na entrada. Porém, o Tesouro recompra os papéis antes do vencimento pelo preço de mercado do dia. Se as taxas subirem, o preço do título cai e o investidor pode receber menos do que esperava. Se as taxas recuarem, o papel pode se valorizar.
Esse mecanismo é chamado de marcação a mercado. Por isso, recursos de emergência ou dinheiro que possa ser necessário no curto prazo não devem ser direcionados a um prefixado longo apenas por causa da taxa.
O investimento pode fazer mais sentido quando o prazo combina com um objetivo financeiro e existe disposição para manter o dinheiro aplicado até 2032. Outra opção mencionada é o Tesouro IPCA+ 2032, que oferecia inflação mais 7,77% ao ano. Nesse caso, há proteção do poder de compra por meio de uma taxa acima da inflação, mas também existem oscilações de preço se o título for vendido antes do vencimento.
No prefixado, o investidor conhece a taxa nominal desde o início e pode ser beneficiado caso a inflação e os juros caiam mais do que o mercado espera. As taxas elevadas, porém, surgem justamente em um cenário de maior incerteza, com petróleo em alta, dúvidas sobre os juros americanos e preocupações com a inflação.



