O advogado Nelson Wilians nega participação na fraude investigada envolvendo a venda de créditos de ICMS e atribui ao escritório De Paula Advogados e Consultoria Tributária, de Londrina, a execução técnica e operacional das operações. Documentos entregues por Wilians ao Ministério Público em 21 de agosto foram usados pela defesa para sustentar essa versão.
Wilians e seu escritório foram alvo da Operação Distrato em 15 de julho, quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão. Também foram alvo da ação o escritório De Paula e a advogada Mayra Fahur de Paula. O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira), formado pelo Ministério Público, pela Procuradoria-Geral do Estado e pela Secretaria da Fazenda, investiga crimes contra a ordem tributária, organização criminosa, estelionato, falsidade documental e lavagem de dinheiro.
Como era a parceria
Segundo os documentos, a Nelson Wilians Negócios e Investimentos foi procurada em 2023 para firmar uma parceria com o De Paula. Empresas ligadas a Wilians fariam a prospecção, a indicação e a aproximação de clientes. O escritório paranaense ficaria responsável pela documentação dos créditos, pela condução técnica e pelos procedimentos perante a Secretaria da Fazenda.
O acordo previa que o De Paula assumiria a responsabilidade por eventuais autuações fiscais e pela representação dos clientes em processos administrativos e judiciais. O material entregue ao Ministério Público inclui contratos, atas, e-mails, registros de compliance e vídeos nos quais Mayra apresenta o serviço.
Em 2024, o setor de compliance do grupo de Wilians questionou a origem e a documentação dos créditos, além do uso de operações perante a Secretaria da Fazenda. Entre os pontos analisados estavam créditos sem determinados registros no e-CredAc e o lançamento de valores como “Outros Créditos” na Guia de Informação e Apuração do ICMS.
Em 22 de novembro, o gestor determinou uma investigação interna e a suspensão imediata da parceria. O acordo foi encerrado cinco dias depois, após reclamações de clientes e questionamentos sobre a transparência do escritório paranaense.
A defesa de Wilians confirmou o envio dos documentos ao Ministério Público. Em nota, o advogado José Roberto Soares Lourenço afirmou que o material demonstraria a inocência do cliente e que o escritório não teria permitido irregularidades. A defesa de Mayra Fahur de Paula não respondeu até a última atualização.
Wilians também é investigado em dois casos independentes. Em 12 de setembro de 2025, a Polícia Federal apreendeu bens em sua casa durante a Operação Sem Desconto, que apurava crimes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social. Em 13 de agosto, ele foi alvo da Operação Arena, sobre evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados a apostas esportivas.
Segundo a Polícia Federal, o escritório de Wilians emitiu notas que somam R$ 37,8 milhões para uma empresa sediada em Curaçao. A defesa afirma que aguarda acesso integral aos documentos da investigação sobre apostas e que documentos já juntados comprovariam vínculo lícito entre Wilians e Maurício Camisote no caso do INSS.



