As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil. Depois de passar por cirurgias ou procedimentos invasivos para tratar problemas graves, como infarto e acidente vascular cerebral, muitos pacientes retornam às unidades básicas de saúde e só voltam à atenção especializada quando surge uma nova necessidade.
Para Aurora Issa, diretora do Instituto Nacional de Cardiologia, é importante acompanhar o que acontece com essas pessoas após a alta da atenção especializada. Esse monitoramento deve considerar quantos pacientes voltaram a ter infarto ou AVC em determinado período, quantos morreram e quantos não tiveram um novo incidente cardiovascular grave.
O Observatório de Saúde Cardiovascular do Instituto Nacional de Cardiologia realiza esse acompanhamento. A integração entre a atenção especializada e a rede básica permite analisar os resultados dos procedimentos ao longo do tempo e avaliar se o cuidado posterior precisa ser aperfeiçoado.
Acompanhamento além do procedimento
Na atenção primária, o cuidado deve considerar mais do que o grau de obstrução das artérias. Também é necessário verificar o controle de comorbidades, como diabetes, colesterol alto e hipertensão, além de hábitos relacionados ao peso, à alimentação, à prática de exercícios físicos, ao consumo de bebidas alcoólicas e ao tabagismo.
A avaliação deve incluir ainda outros órgãos e a qualidade de vida, já que a saúde cardiovascular afeta o corpo todo. Um paciente pode passar por uma angioplastia para desobstruir uma artéria coronária e, sem mudanças nos hábitos ou controle adequado das comorbidades, retornar ao atendimento especializado. Prevenir esse retorno pode contribuir para preservar a saúde do paciente e diminuir a sobrecarga do sistema.
Além de ampliar a capacidade de realizar cirurgias e procedimentos de alta complexidade, a proposta é reduzir a necessidade dessas intervenções por meio da prevenção e da integração entre os diferentes níveis de atenção.
Telessaúde e educação
Entre as medidas citadas estão a integração de prontuários, a comunicação entre os serviços e o avanço da telessaúde. O Instituto Nacional de Cardiologia inaugurou seu centro de telessaúde em 2025 e oferece consultas remotas para pacientes e consultoria de especialistas a profissionais da atenção básica.
A educação em saúde também é considerada essencial. A falta de compreensão pode prejudicar o tratamento: algumas pessoas interrompem os medicamentos quando se sentem melhor e acabam piorando.
As orientações devem usar linguagem simples e explicar os problemas de saúde, as formas de melhorar a qualidade de vida e os efeitos dos medicamentos. No SUS, há iniciativas com esse objetivo, incluindo aplicativos de auxílio ao paciente e materiais voltados a adultos e crianças. A medida pode aumentar a confiança do paciente e facilitar o trabalho conjunto com os profissionais de saúde.




