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Economia

Petróleo em alta fortalece o real, mas ameaça o corte de juros no Brasil

O avanço do Brent melhora a conta externa brasileira, mas também prolonga a pressão sobre a inflação e a Selic.

Petróleo em alta fortalece o real, mas ameaça o corte de juros no Brasil

A alta do petróleo deixou de ser apenas uma ajuda para o Brasil. O avanço do Brent fortalece o real e melhora a balança comercial, mas também contribui para manter os juros americanos elevados e pode encurtar o ciclo de cortes da Selic no país.

Em 16 de setembro, o Federal Reserve elevou os juros para a faixa de 3,75% a 4%, na primeira alta desde julho de 2023. No mesmo dia, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic para 13,75%, na quinta queda consecutiva.

O movimento ocorre em um cenário diferente do padrão observado nas últimas duas décadas. Antes, uma alta de juros pelo Fed costumava pressionar commodities e elevar o dólar, enquanto o petróleo mais barato ajudava a conter a inflação brasileira. Agora, os juros e o petróleo subiram ao mesmo tempo.

O Brent chegou perto de US$ 110 na segunda-feira (14) e depois passou a ser negociado próximo de US$ 100. A alta acumulada em 12 meses supera 53%. O movimento é atribuído ao prêmio de guerra relacionado ao risco de interrupção do fluxo de petróleo no Golfo, após a paralisação do oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita, e ataques em Ormuz.

Pressão sobre a Selic e o real

A valorização do petróleo favorece os termos de troca, ajuda as contas externas e contribui para a valorização do real. A moeda acumula mais de 7% de alta no ano, com o dólar cotado a R$ 5,14 e a R$ 5,10 na segunda-feira, 21.

Ao mesmo tempo, o prêmio de risco do petróleo está ligado à decisão de Kevin Warsh, presidente do Fed, de elevar os juros. O voto foi unânime entre os doze integrantes, e o comunicado apontou que a inflação continua alta. O comitê também sinalizou outra alta até dezembro, expectativa adotada por quase 80% do mercado.

Para Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, o encarecimento do petróleo reduz o tempo disponível para manter o ciclo de cortes. O diferencial de juros ainda favorece o Brasil: 13,75% contra 4%. As NTN-B longas têm taxa média real de 7,44%, enquanto o vencimento de 2035 está em 7,61%.

Risco fiscal no horizonte

O próximo teste pode estar no Orçamento de 2027. A Instituição Fiscal Independente do Senado projeta déficit de R$ 86 bilhões, enquanto a equipe de Dario Durigan, ministro da Fazenda, trabalha com superávit de R$ 18,6 bilhões.

Durigan assumiu a pasta em março, após Fernando Haddad deixar o cargo para disputar o governo de São Paulo. Se a projeção da IFI prevalecer, o resultado ultrapassará a tolerância do arcabouço e poderá travar despesas em 2028.

O Ibovespa, aos 186 mil pontos, reúne expectativas de Selic em queda, real valorizado, melhora fiscal e uma eleição sem sobressaltos. Com o petróleo elevado e o Fed aumentando os juros, essa combinação passa a depender de vários fatores simultâneos.

A relação tradicional entre juros americanos e commodities deixou de funcionar enquanto o prêmio geopolítico permanecer embutido no preço da energia. Uma eventual normalização em Ormuz, com o Brent retornando a US$ 80, poderia revelar que parte da melhora brasileira veio dos termos de troca, e não de uma mudança na percepção sobre a situação fiscal.

Ainda não está definido se a alta do petróleo em setembro será passageira ou o início de um movimento maior. A evolução dependerá de decisões militares em Teerã, Riad e Washington, que não podem ser incorporadas integralmente a um modelo de inflação.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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